quarta-feira, 25 de abril de 2012

O viajante - Parte I

Aquela aula se tornara assustadora de repente. Meus olhos arregalados eram apenas uma amostra do medo que tomou conta do meu corpo. E eu não era a única. Todas as meninas que estudavam naquela classe se sentiam aterrorizadas com a história que a senhora Williams contava com certo entusiasmo.

Passava das 21 horas e uma chuva torrencial caía lá fora. Os enormes pinheiros balançavam sem parar tamanha a ventania. E de vez em quando, seus galhos batiam nas janelas molhadas assustando a todas nós.

— Ninguém sabia exatamente o que o viajante queria, mas quando ele chegava a uma cidade, era quase impossível alguém sair vivo. Eu digo “quase” porque alguém conseguiu sair e é por este motivo que sei dessa história e posso contá-la a vocês. — A professora contava andando de um lado para o outro na sala de aula. — O viajante era um homem alto de cabelos na altura dos olhos. Bem arrumado, mas com o rosto rústico e impenetrável. Olhos negros, mãos grossas e dentes afiados como os de um lobo.

Os gritos ecoavam pelas pequenas cidades e vilarejos. Os que não morriam pelas mãos ensanguentadas dele, morriam de medo e caíam duros no chão enquanto ele se aproximava. Logo suas roupas ficavam manchadas com o sangue de cada um que ele devorava, mas nada poderia impedi-lo. E sua fome nunca era saciada completamente.

O viajante não tem casa, sua família fora sua primeira vítima. Ele vaga por desertos, estradas e florestas. Somente à procura de alguém que possa restaurar suas energias com sua carne fresca.

— Senhora Williams, desculpe interrompê-la, mas estamos todas assustadas com esta história. Por que a senhora está nos contando tudo isso ao invés de ensinar-nos a matéria devida? — Perguntou April, que se encontrava na carteira ao lado, praticamente petrificada de medo.

— Para que se preparem pro que há de vir. — A senhora Williams respondeu com um tom enigmático e maquiavélico na voz.

Meu coração batia rápido demais. Minhas mãos suavam além do normal e eu podia ver que minhas colegas se encontravam numa situação igual ou pior. Pobre April, já estava chorando.

Com um barulho estrondoso, a porta de nossa sala se abriu, batendo na parede com força. Os olhos da senhora Williams se arregalaram e então virei-me devagar na direção da porta.

E lá estava: um homem alto, com uma roupa vistosa e uma capa de chuva marrom por cima. Seus cabelos estavam encharcados e caíam por sobre seus olhos. Os mesmos eram pretos como a noite. E seu rosto fora castigado pelo tempo.

Deu um passo à frente sem dizer uma palavra. A professora continuara imóvel no meio da sala de aula. E nós, alunas, logo nos lembramos da descrição que a professora Williams nos dera sobre o viajante.

Era ele.

Meu coração parou.

Continua...

Finnegan.

5 comentários:

Onslaught disse...

Este texto esta excepcionalmente esplendido !!!!! *-*
Muito bom e envolvente!!
ADOROOOOOOOOOOO contos assim!!!
E torço pra que este seja só o primeiro de muitos outros ^^
A
(te amo gatinha!)

Valquíria Paula disse...

De cara deu pra ver que o conto vai ser sucesso. Divulga bastante enquanto está no começo, assim fica mais fácil de a galera acompanhar.
Parabéns, gaarota.
Bjuss

http://palavrasdevalquiria.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Iradoooooooooooooooooo!!!

Rodrigo disse...

Gostei do clima de suspense. Quando vem a continuação?

Lely Finnegan disse...

Estou divulgando do jeito que posso, a minha internet é limitada, então não posso ficar entrar em muitos sites td hora... =/
Hoje mesmo, por volta do meio dia!
Obrigada pelos comentários amigos!